PROCLAMAS | pirata desativa-se para virar contrabandista em 2009
Em dezembro de 2007, o patrocínio do PAC (Programa da Secretaria de Cultura do Governo do Estado) à edição do romance Acordados, permitiu que estruturasse uma rede capilar para a distribuição inicial do livro, de forma afetiva, de mão a mão, projeto denominado “Distribuição por Contrabando“.
(Lembra?)
Comemorando 1 Ano do feito, convido assim todos que receberam um exemplar contrabandeado de Acordados a participar do projeto, agora como legítimos contrabandistas! Basta indicar quem te entregou o livro (um desses 60 contrabandistas aqui). Ou seja, se você presenteou tua tia, agora ela poderá receber exemplares para presentear quem quiser.
Nas festividades dos dias 19 ou 20 de dezembro descritas abaixo, cada contrabandista da nova geração poderá receber 10 exemplares do Acordados, compromentendo-se a: (a) não desperdiçar ou vender os livros, (b) tirar uma foto para registro e (c) entregar os 10 novos exemplares para leitores que queira. É necessária confirmação de participação até dia 17.12.08 (são poucos pacotes) para anarusche no gmail.com
FESTIVIDADES:
Sexta Básica
19 de dezembro, sexta, 19h, Casa das Rosas
Com a curadoria do músico Pedro Osmar, o Sexta-Básica é projeto que trouxe várias duplas, formadas por um músico e um poeta, à Casa das Rosas ao longo de 2008, apresentando trabalhos em conjunto.
Para fechamento do ano, apresentar-se-ão Ana Rüsche (escritora) com Luama (cantora) e a dupla de Marcelo Montenegro (poeta) com Rafa Barreto (músico). Casa das Rosas, Av. Paulista, 37, Estação Brigadeiro do Metrô
Lançamento do Blogue: Contrabandistas de Peluche (EHH!)
20 de dezembro, sábado, 16h, Mercearia
Após a intensa vida do blogue Peixe de Aquário e os projetos eletrônicos Alerta de Vírus, El Libro de Alan e Pirata de Aquário, é fundando o domínio www.anarusche.com para agregar essas experiências. E hospedar o blogue Contrabandistas de Peluche.
Com a interface aberta a contribuições de internautas, o espaço pretende discutir literatura, criatividade, internet e todas as bobagens importantíssimas que só um blogue pode hospedar. Mercearia São Pedro, Rua Rodésia, 34, Estação Vila Madalena do Metrô
1 comment 2, Dezembro, 2008
COMO DESCREVER A POESIA BR NOVA EM BULLET POINTS
Sim, fechei a edição da página wiki com essa pergunta.
O texto final? Hehehe, exatamente como vc esperava! O resultado é um emaranhado misto de xingamentos confusos mesclados com linguagem de internet sobre o cotidiano e pontos líricos aqui e acolá. Queria agradecer a todos os colaboradores, anônimos e não-anônimos. Especialmente o Luiz que ligou do Rio pra entender a parada!
Merecia um ensaio analisando humoristicamente a nenhuma coerência na edição coletiva e a forma de escrever cada-qual-para-seu-lado de quase todos os colaboradores… claro que isso é a perfeita resposta metafórica à pergunta. Sem esquecer a ausência, evidente, de observância à proposta. Uma pequena brilhante piece of art simbólica escrita no papel de luz a respeito desse buraco branco que é a poesia brasileira nueva.
Outro dia conto minhas teorias. Aí vai o texto.
[Deixei outro do Saramago para quem quiser se divertir].
—
COMO DESCREVER A POESIA BR NOVA EM BULLET POINTS
composto via plataforma wiki em http://piratadeaquario.wikispaces.com
escritores canalhas se vestem de falsos amigos… mundinho cão esse da literatura brasileira. Os hipócritas rules.
(actually, hypocrits suck because they’re the ones who rule – Luiz com Z, 23/10/08, 16:43 no Daaaaylight Saving Time)
COMO DESCREVER A POESIA BR NOVA EM BULLET POINTS?
(Eu trabalho na BR e acho esta empresa indescritível
Eu escrevo poesia e acho esse ato inexplicável
E o(a) senhor(a) ainda quer que eu cruze os dois e transforme em bolinhas? O que é isso, companheiro(a)?
Luiz com Z, 23/10/08, 16:44)
-
Sumidouro
Não tenho dúvida que foram os deuses gregos que inventaram o destino
(e eu tenho certeza que foram os oftalomologistas que inventaram a fonte pequena. Não abuse, um dia serás tu a teres a vista cansada
- Luiz com Z, 23/10/08, 16:46)
Ziembinski
A adorável M., vestida a caráter, zarpou para Guiana no último ônibus noturno, seguida discretamente pelos peixes, enormes, que desciam a foz do Rio Branco. Decidiu, no último instante, não seguir no minúsculo carregador que prometia levá-la a Manaus, tivera estranhos sonhos onde rapazes de Georgetown a trancafiavam em um depósito povoado de tambaquis.
Seu silêncio é o som da fala esquecida. Doze anos antes, pela primeira vez, no prazer de entrar e sentir dentro dela seu corpo e só. Depois, suando em fuga e procurando respostas nunca encontradas. “pode riscar seu nome de meus cadernos?”, “pode escrever seu nome em meus cadernos?”, “eu queria ter tudo de volta – nunca mais perder você e deixar de escutar: minha bocas está sedentas de seu sopro”.
Todo absurdo será lembrado e esquecido no café da manhã, e pela primeira vez, dirá que sim, pode deitar seus olhos em mim, e saltar…
aldir brasil
-
-
(…)
(espero vc!)
(e eu espero oê, pra completarmos você
- Luiz com Z passou aqui às 16:47 de 23/10/08)
1 comment 7, Novembro, 2008
SÉRIE: Benefícios da Caixa Postal | coisas que recebo I
E-MAIL DE UTILIDADE PÚBLICA
: CHAVE DO HOTEL
.
“É bom saber disso. Eu não sabia.
Alguma vez já se perguntou o que está armazenado nas chaves magnéticas (que se assemelham aos cartões de crédito) dos hotéis? Veja a resposta e mude seus hábitos: a. Nome do hóspede, b. Endereço parcial do hóspede, c. Número do quarto do hotel, d.. Datas do chec-in e ckeck-out, e. Número do cartão de crédito, e sua data de validade, do hóspede!
Quando você as devolve na recepção, suas informações ficam lá disponíveis para qualquer funcionário com acesso ao ’scanner’ do hotel. Ou ainda, um funcionário pode levar um monte delas para casa e, utilizando um aparelho de ’scanner’ magnético, ter acesso às suas informações e sair gastando pela internet.. Simplificando, os hotéis não apagam as informações das chaves magnéticas até que um novo hóspede faça uso delas, quando suas informações sobrescreverão as do antigo hóspede. Mas até que a chave seja re-utilizada, ela fica, geralmente, na gaveta da recepção com as suas informações nela!
Resumindo:
Guarde com você suas chaves magnéticas, leve-as para casa ou as destrua. Nunca as deixe no quarto, no lixo do banheiro e NUNCA as devolva para a recepção quando estiver fazendo o check-out. Os hotéis não podem cobrar pelas chaves (é ilegal) e você terá certeza de que não estará deixando um monte de informações pessoais valiosas que podem ser facilmente acessadas, e utilizadas, com um ’scanner’ magnético. Pela mesma razão, se você chegar ao aeroporto e descobrir que ainda está carregando a chave com você, não a jogue nas cestas de lixo. Leve-a para casa e a destrua com uma tesoura, cortando principalmente a faixa magnética das costas da chave.
Informação: Departamento Policial de Pasadena – USA”
Add comment 5, Novembro, 2008
poquita fe 2008 | chile iii
Hoje comecei a responder alguns e-mails. Oscilo entre uma preguiça desgraçada e uma melancolia terrível ao ler minha caixa postal. Raramente leio todos de uma vez.
Bem, hoje respondi aos poemas maravilhosos da Valeria (enviarei para o Daud os traduzir, não consegui direito, são muito profundos, exigem), desayuno con miel y frutas dulces. E ao Wladimir, con un hermoso mail desde Guaiaquil, con botellas futuras de cerveza compartida em territórios desplazados que son las nets. Troquei links de blogue com a Nurit, essa menina de olhos cheios de perguntas e histórias. E falando no Daud, preciso pedir para ele uma foto de perfil, como essa abaixo, para comprovar ao Gérman que é verdade que eles se parecem incrivelmente.
Acho que o iii é o fim da série. De uma série em que uma cobra morde o próprio rabo e logo temos o infinito.
Hoje traduzi finalmente o poema-delírio-manifesto-ensaio do Pablo Paredes Muñoz e postei no Portal Literal. Tem muitos links, umas 2 horas de surfe de ondas do pacífico na net. Aproveita , pois há muito que não faz sol lá fora:
“PARA NO MORIRSE DE FRÍO
Acercamiento a la Poesía Chilena reciente.
* * *
e queria agradecer às duas criatura da foto abaixo pelas coisinhas (tão imensas) que fizeram aqui dentro.
1 comment 23, Outubro, 2008
poquita fe 2008 | chile ii
Albergues são sempre lugares do inacreditável. Impossível imaginar assim o do Poquita Fe , pois com tal reunião de poetas poderiam ser sugeridos os atos mais feiticeiros, como a peculiaridade de, no banheiro feminino, a torneira da pia abrir o chuveiro. Nesta atmosfera com efeitos oníricos reais, você poderia acordar com a menina-Jessica, que escreve a moda dos seriais killers, perguntando as horas; o Christian no seu eterno matinal sofá vermelho com português de charmoso acento portenho ou mesmo vendo o Reynaldo Jimenez gravando com suas mil tonalidades possíveis da fala poemas aos queridos que filmaram todo o evento (ver os vídeo aqui).
Parti mentalmente dessa recepção de albergue, estampada com antipoemas do Parra para falar desses dois. Nem sei se estavam no mesmo quarto. O que passa é que tenho algumas fotos de um episódio deles juntos, logo juntei o senso de humor e a inclinação por escrever ensaios que compartilham. Bem, então algumas linhas abaixo do genial mexicano Luis Felipe Fabre (Pesquisa de Mercado e Imagem da Desconhecida) e o carioquíssimo Ericson Pires (conversa com iara).
.
Pesquisa de Mercado
Uma moeda, pelo amor de Deus, uma moeda,
que o dinheiro é o tema do mendigo
e o mendigo
é o tema desta pesquisa: e se o mendigo tivesse dinheiro
falaria de assuntos menos mundanos? Mas
eis aqui
um tilintar de moedas no interior
de uma lata
de sardinhas sem sardinhas. E as sardinhas?
Baratas e nutritivas: ricas em ferro,
vitamina A e fósforo.
Un excelente paladar diria que a sadinha tem um ligeiro toque de:
a) Metal sovado. b) Dinheiro rançoso.
c) Café de manhã de mendigo.
Um mendigo é basicamente um cofrinho?
Investigación de mercado
Una moneda, por el amor de Dios, una moneda,
que el dinero es el tema del mendigo
y el mendigo
es el tema de esta investigación: ¿si el mendigo tuviese dinero
hablaría de asuntos menos mundanos? Pero
he aquí
un tintinear de monedas en el interior
de una lata
de sardinas sin sardinas. ¿Y las sardinas?
Baratas y nutritivas: ricas en hierro,
vitamina A y fósforo.
Un paladar exquisito diría que la sardina tiene un ligero dejo a:
a) Metal sobado. b) Dinero rancio.
c) Desayuno de mendigos.
¿Un mendigo es básicamente una alcancía?
Retirado de La Jornada Semanal, 24.01.05
(não consegui formatar! desculpa)
Imagem da Desconhecida
(A partir de um poema de Juan Carlos Bautista)
Um sapato vermelho de salto alto
que é, em si mesmo,
um fantasma de seu par ausente.
Um sapato perdido na metade da noite
perdido, entre um passo
e outro, na metade da rua.
Um sapato do qual se pode deduzir uma mulher
subitamente pega
e possivelmente trágica
Mais que um sapato: uma pista para resolver um crime.
Um sapato que é uma pergunta
cuja resposta é outro sapato.
Imagen de la Desconocida
(A partir de un poema de Juan Carlos Bautista)
Un zapato rojo de tacón alto
que es, en sí mismo,
el fantasma de su par ausente.
Un zapato perdido a mitad de la noche,
perdido, entre un paso
y otro, a mitad de la calle.
Un zapato del que se puede deducir una mujer
súbitamente coja
y posiblemente trágica.
Más que un zapato: una pista para resolver un crimen.
Un zapato que es una pregunta
cuya respuesta es otro zapato.
conversa com Iara
me preparo para mergulhar
as coisas nunca foram simples
todo amor é necessário
inevitável: vitórias régias
me lanço no tempo
simplesmente sacar a arma
todos lançados (dados) na mesma
necessário tecer: vitórias régias
- destemido é viver no olho do furacão: Quantas vitórias régias cobrem um lago ? Quantas flores nascem no lago? Quem mora na vitória? Onde está a rainha? Estou nu -
mergulho nesse pântano
é quase sempre luz
tenho algumas memórias
beijo sempre : vitórias régias
- viajar parado: sobre a superfície do lago se encontra a rainha plainando com os lábios abertos os braços abertos os olhos abertos tudo no mundo cabe num botão flor voraz destemido é beijar a vitória deslizo e mergulho e deslizo e mergulho e deslizo e mergulho superfícies não terminam meu nome é novamente sim -
me preparo
estou nu
Add comment 21, Outubro, 2008
Mostra SESC e Táticas de Guerrilha Urbana
[HOY: ver a Maroca na Leitura do SIM Poesia na Casa das Rosas, 19h. Afinal, foi Ela que me fez gostar de Ella!].
A Mostra do SESC está arrasa-quarteirão! Não pude ir ao happy hour ontem por motivos ornitorrínquicos de peluches, mas queria só mandar constar que estou bem feliz em contribuir com toda essa performidade.
Participei em 3 frentes:
Poema Passageiro: Hoje estará no ar, em todas as TVs de Ônibus e Metrôs da cidade (queira vc carregar na catraca ou não), um vídeo de 40s, o tempo de um comercial, do El Libro de Alan. O bravo desbravador de madrugadas, señor Daud, e yo fizemos a edição da forma mais didática e clara possível, dentro das mil limitações de edições caseira y mil vontades dos corações com patas.
DESAFIO: Se você, por acaso, vir o vídeo e puder documentar a cena dentro do transporte coletivo – tirando fotos, vídeos, algo assim, ganha um exemplar de Acordados! Assista: http://tinyurl.com/6pu9tz
Literatura Celular: Com a curadoria do impagável Marcelino Freire, até amanhã, serão enviados 30 microcontos de diversos autores via SMS para telefones celulares Vivo. Recebo vários e me divirto. Esse projeto deveria continuar. De minha parte, o duro foi falar de mulher e peixes em 120 caracteres, ufa!. O “amélia” vai ao final para vc ler..
Poesia em Concreto no Sesc Interlagos: E num paredão de concreto no Sesc Interlagos foi colocado o poema abaixo. Outro dia um poeta me contou que, a princípio, quando ouvia falar em “concretismo”, imaginava uma poesia de tocar e não no papel. De pequena eu tinha a mesma sensação. Bem, agora pode, velhinho! Domingo irei para Interlagos fazer fotos. O poema segue abaixo..
Queria muito agradecer o Daniel Hanai e o Ricardo Silveira pelas gentilezas, vontade, organização e espaço – guerrilheiros nessa selva de pedra de símbolos.
.
amélia
jantar mudo de chamadas perdidas
: eu, mulher-de-verdade, destupro meu destino na entranha do peixe.
me calo.
menino de olhos tristes
o menino de olhos tristes tem mariposas
e borboletas na pança
por isso tem as idéias avoadas
o menino de olhos tristes divide
seu abacate e seus poemas com os passarinhos
que pirimpiam no café da manhã
sinto pirilampos frios na barriga
quando escuto as histórias do menino
por essas paredes duras
mas quando ele ri
: só com os olhos )
as luzes que vagalumeiam n a m i n hpaaança
as luzes que vagalumeiam a m i n h a paaança
crrrescem crrrees c até envolverr t o dooo concreto e os c orações
rrescem crrrees c e m até envolet o d o s oconcretos e os c o r a ç õ e s
com um abraço de p e l ú c i a me l e c a d a e m l u z.
1 comment 17, Outubro, 2008
poquita fe 2008 | chile i
[EXTRA! EXTRA! hoje será lançada a Ordem Secreta dos Ornitorrincos, pela Editora Amauta! No b_arco, umas 20h. A autora é uma das mais criativasprodutivascompartilhativas do planeta, a Maria Alzira Brum + aqui]
.
Difícil começar a contar como foi no Chile. Lá para o Poquita Fé 2008, 3ª edição.
Primeiro, porque é incrível a presença da poesia neste país. Não irei citar o Jodorowsky, pq isso foi feito com mais propriedade algures. Não se trata de um modelo de financiamento estatal para a produção poética, como no México, e sim algo incrivelmente mais delirante, com raízes por baixo de tudo, contaminado pela lógica poética, encadeiado pelas cordilheiras que realmente se avista da cidade, um aperto no peito constante. E o Rio Mapocho, como uma tristeza caudalosa, a barulhar caichoerento cruzando a cidade.
A começar pela propaganda – que considerei um sintoma. O Banco escolheu a garota-propaganda poeta-nobel Gabriela Mistral. E em destaque! No metrô, vários painéis engraçadíssimos. O Hotel caro chama-se “Hotel Kapital” e o bordel “Bordel“, claro! Nada mais parriano! Ou a influência dramática da dor zuritiana do “Estudo medicina: … mas esta é a ferida do Chile que quero curar“. Fotos:
Para falar da poesia em si, gostaria de iniciar a série da semana pela oficina Moda y Pueblo, que conheci por intermédio de seu coordenador, Diego Ramírez, uma criatura espantosamente linda. Os encontros ocorrem na Carnicería Punk - transformaram um antigo açougue de bairro em lugar de criação, de compartilhamento, ternura. Do Diego, ainda quero traduzir poemas. Sua leitura foi uma das mais incríveis no festival. Como se fosse possível escolher uma, de tantas fantásticas. Sério. Aprendi muitíssimo lá. HH, obrigada por tudo.
Os oficineiros imprimiram a antologia Frágil. Mas, para que cada individualidade tenha sua energia garantida, cada um produziu caixinhas personalizadas para conter a antologia com objetos dentro, “mi pequeña industria cultural“. E das 280 caixinhas, de sua ternura e convivência tiram enfim isso que se chama poema.
E esse pequeno vídeo que fiz toscamente com minha máquina fotográfica 5.1 é uma forma de agradecimento. Com todo carinho que se deve. Não há saudades, porque o poema está aqui dentro: http://tinyurl.com/4f6c79
Fotos: Diego mostra Brian + oficineiros e seus convidados internacionais, hehe.
Add comment 16, Outubro, 2008
¡pregunta!
Mudei a edição da página wiki para edição pública sem ter que se cadastrar. Assim fica mais fácil postar/alterar. Mantive a questão
COMO DESCREVER A POESIA BR NOVA EM BULLET POINTS?
Add comment 16, Outubro, 2008
DE VUELTA! (vc nem sabia que eu tinha ido?)
Estou com uma grande dificuldade em postar. Tudo porque ando com a incrível sensação que não tem ninguém aí, sabe? Mas como a Maiara linda me mandou beijos, me animei. Arre, que criatura que sou. E o Thiago Dória comentou do Pirata (excelente o blogue dele!). E o Paulo Coelho falou que apóia o piratizeyourself na abertura da Feira de Frankfurt. De melhor ânimo, decidi prosseguir.
* * *
Desde o começo
: ainda aqui em Sampa, onde decidi fazer as malas. Parti de uma segunda-feira chuvosa, dia 6, da SAPO – Semana de Artes da Poli (USP). Sim, fui lá falar aos politécnicos, público interessado e perguntadeiro, sobre “Literatura na Era Digital – 2.0_ _ O Dia em que o Poema não caberá mais no Papel“. Seja você um migrante ou nativo da web, não é possível mais pensar em páginas amarelas, se você tem google. E o messenger já é um menino que cursa a 7ª série. Twitter-o-quê? E a literatura? Digamos que manter um blogue não seja exatamente o mais nuevo que se possa imaginar…
Com idéias conturbadas na cabeça, preparei um powerpoint sobre o tema, hehe, nada mais powerpointeresco que uma palestra sobre algo digital na POLI. Lembrando meus pitorescos tempos de advogada de direitos autorais, (saudades do Caio e do Gui!) comentei algo a respeito do modelo dos Softwares Livres e da dita 2.zerorização, quem sabe ainda o que é isso. Da importância da inteligência coletiva e desse lance do beta perpétuo, parte-se da premissa que é sempre possível melhorar a criação – cada autor que acrescenta algo no programa quer assim participar do “projeto” e isso nunca tem um fim, há versões novas, criações paralelas, in progress.
Tentativa de colocar modelos de criação semelhantes ao do softwares livres em pontos de bala:
- Inteligência Coletiva
- Sempre em Processo (‘beta perpétuo’)
- Comunidades
- Cada um cria sua própria forma de organização
Agora vejam o esquema literário padrão. Um modelo clássico de único autor, o livro é a consolidação máxima do objeto pronto, em que se apagam todas as marcas dos processos (ou não, vide os piolhos de correções, hehe), rígido. Sua distribuição depende do parque gráfico, livrarias, com a interação só ocorrida em cantos de comentários de blogues, ai, internet de novo, ou entre autógrafos e mesas de bar incertas. Algo bem difícil de ser crível às vezes. O que acha?
Agora nova tentativa de colocar o esquema literário em pontos de bala:
- Modelo de único autor
- Publicação estática e rígida
- Interação em menor grau
- Distribuição depende do parque gráfico
E después citei os meus projetinhos:
(a) Alerta de Vírus: soltei um spam com assunto “ALERTA DE VÍRUS: os invisíveis mandam dizer“. Continha apenas poemas “invisíveis”, dado que a maioria das letras pintada de branco desaparecem no fundo igualmente branco da tela. Assim, o leitor só conseguirá ler o texto explorando os poemas, selecionando-os com o mouse. No corpo do e-mail, constava a frase: “Essa obra é extremamente frágil. Sua sobrevivência depende de teu desejo em repassá-la para outros, pois a autora não disponibilizou o arquivo em nenhum lugar para download. Agora é com você“. Com esses dizeres, coloca-se nos ombros do leitor-destinatário toda a responsabilidade pela existência do poema. E inicia-se a distribuição por afetos: logo os leitores empolgados com a idéia, repassam o e-mail a amigos, sendo co-autores da ação. Algo assim.
(b) o Pirata de Aquário: este blogue! Que abri uma plataforma wiki para que qualquer internatura possa editar partes das postagens. Afinal, nada mais pessoal que um blogue – subvertamos isso, jeje.
(c) o El Libro de Alan: para o dia dos namorados, com ajuda inestimável dos amorecos Kqi e Daud, colamos na cidade o dizer “Aqui habla un poema de Alan” e também trechos de poemas dele. Num blogue, foi possível acompanhar o que acontecia com as colagens todas durante 15 dias. Ao final, fizemos um vídeo. Tudo com direitos livres, claro, como assim mandava a trilha do Nine Inch Nails.
Para as colagens, foram escolhidos 4 locais (Praça da Sé, Av. Paulista, cruzamento da Av. Brasil com R. Guatelama e Av. General Olímpio com R. Olímpia) – 4 estrelas que formam uma cruz, um cruzeiro do sul, para que as galáxias saiam do papel e possam estender-se pelas ruas, infiltrando poemas escondidos pelas calçadas.
.
Sobre a SAPO em si, fui suuper bem tratada, com lanches, bolo, suco, café, incrível a recepção. E exibimos o vídeo do El Libro de Alan, aplaudido ao final. Foi muito bom ouvir as reações e os comentários. Gracias, Daud! Mais que perceber a internet com o um brave new world, coisa já demodê, é entender que o que faz uma obra de arte é modificar corações. E para isso, precisamos de pessoas de carne e osso escutando, discutindo, importando-se. João, muito obrigada pelo convite. E Mari, vamos planejar muita coisa juntas. (fotos: mesa cheia de guloseimas para o palestrante artista e o daud tentando pegar o sapo)
Fica por aqui, sim? Tem dias que é difícil sobreviver ao nosso próprio lugar. Amanhã falo do Chile. Se quiser se preparar, assita: LA CARNICERÍA PUNK – Oficina Moda y Pueblo.
2 comments 15, Outubro, 2008
“A Nueva Poesía Brasileira”? E vc com isso?
Imagem: Edificio de Asuntos Estudiantiles y Administrativos, Universidad Diego Portales
No dia 10 de outubro participarei de diálogo crítico sobre esse tema no Poquita Fe – III Encuentro de Poesía Latinoamericana Actual. A mesa acontecerá na Universidad Diego Portales, serei acompanhada pelo poeta uruguaio Manuel Barrios e pelo poeta chileno e organizador do festival, Héctor Hernandez Montecinos, os quais terão a mesma tarefa sobre seus próprios países.
Bem, pensei que seria legal trazer colaborações coletivas.
Assim, abri uma wiki para que vc possa escrever diretamente o que pensa sobre o tema. Em edição pública até dia 9.10, quinta, 20h.
Edite aqui: http://tinyurl.com/4rt7nv
Pode ser?
2 comments 7, Outubro, 2008
A força da Pequenininha Fé & os Guerrilheiros de La Ternura
O Poquita Fe, III Encontro de Poesia Latino-americana Atual em Santiago do Chile, começa na semana que vem. Um Chile de cartaz já em chamas. Lá, assim como aqui, acho que nunca houve bombeiros, e o cartaz ficou então como um fantasma do fahrenheit 451 ao inverso: “A idéia da colina em chamas concentra o clima de guerra que o Chile viveu nos últimos 30 anos. Essa virgem protetora que anunciava uma cidade bonita se torna quase um símbolo apocalíptico“, diz Pablo Paredes, poeta chileno e organizador. Que o facebook teima em dizer minha identidade a partir do teste que-poeta-chileno-éres.
E dessas coisas que se lê no facebook mesmo que tirei o mote dos ‘guerrilheiros da ternura’ para falar desses caras: a organização do evento, dos poetas Héctor Hernández Montecinos, Pablo Paredes, Carola Zuleta e Rodrigo Gómez [leia matéria do La Nación], conseguiu patrocínio e custearão tanto passagens aéreas, quanto hospedagem, algo incrível. Ao todo, são mais de 30 poetas de diversas idades e trajetórias, com a certeza absoluta da declaração do Zurita: “Se trata sin duda, del festival latinoamericano de poesía más importante de la última década“.
Outro trechinho bonito de imprensa:
“Em um momento de completa distancias entre escritores, devido a causas econômicas, políticas e culturais, é necessário um momento de discussão, crítica e encontro, no qual se revise os discursos sobre as condições e possibilidades de um poeta na América Latina e seus cruzamentos com o neoliberalismo dos discursos, a globalização dos corpos e a virtualidade dos territórios” (extraído de www.lun.com)
O plano é rever queridos, conhecer outros e ouvir muito. Tenho 2 leituras + um “diálogo crítico: sobre nueva poesía brasileña”, tentarei caprichar. Tentarei acessar a net para te contar, acho que é o mais importante que eu possa fazer por lá – mostrar trabalho e tal é interessante, mas tem tanta gente lendo e acontecendo que o ideal é trazer mesmo histórias para piratear. Vou com máquinas & caderninho, hehe.
- Maiara querida, como no ano passado: te trago alguma coisa de aniversário lá de Santiago, sim?
. . .
Para a edição pública do final de semana: sei que vc sempre quis fazer isso. Mandei lá o trecho antológico sobre a Capitu, que é mulher da vez. Pode jogar pedra na Geni! Ou não, claro.
2 comments 3, Outubro, 2008
Otro tiempo principia en Xibalbá*
1.
El cielo abría y cerraba las mentes, eran espantosas y grises como los candados: el viento rompía los cerros, despedazaba las casas y la pureza de los niños, el viento se llevó familias completas y mujeres tragándose láminas de zinc, como si se hicieran la barba por dentro, el miedo vivía debajo de las camas y llenaba de tierra el aire, hasta que el cielo llegó a parecer un mar lleno de muertos, se revolcaban entre los platos, quebrados, repartidos entre huesos de miles de animales desconocidos; el viento también quemaba la ropa de la gente y con esa luz se perfilaron los nuevos modelitos, mordían sus carnes acariciándose sus ásperas lenguas en sudores, sin filo pero con una fuerza más allá de cualquier corazón guerrero, en el mero fondo de la vida, justo al lado de los cielos desaparecidos.
0.
Encogida,avergonzada, la gente grande escondía a los fetos expulsados, por el miedo a quedarse solos…algunos mejor se dejaban caer al suelo. Mirados desde arriba parecieran todavía más pequeños…
2.
(Juan)_ ¡Pero tratar de violar a la madre de Dios! Claro que ese hombre era un loco.
(Concha)_ Tú no entiendes. Como no quieres bajar de tu altar, como no te relacionas con nadie, no ves lo que hay en el corazón de los hombres de este pueblo. Allí no hay amor de hijos sino deseo, puras ganas de encaramarse, de hacerle el daño…
(Juan)_ ¿A la madre de Dios, a nuestra madre santísima? ¡Cállate, boca macumbera!
(Concha)_ Es que ella no es nuestra madre. Ella es una mujer blanca pero elevada sobre nosotros, una blanca pobre pero elevada sobre nosotros. Esos idiotas vienen de su Gran Ciudad y entran a la iglesia, se fingen indiferentes. Claro, no es la Virgen de su Catedral, no es ni siquiera una putita de sus cantinas. ..¿Sabes una cosa? Yo ya me di cuenta: en la ciudad los hombres pobres buscan en las mujeres blancas la cara de la Virgen y aquí buscan en la Virgen la cara de las blancas.
* fragmentos de “El tiempo principia en Xibalbá”, romance de Luis de Lión, editado via plataforma wiki, hoje com certa dificuldade técnica, www.piratadeaquario.wikispaces.com por hiok, paulom, alan1000s.
Add comment 3, Outubro, 2008
portal literal 2.0
com a interface semelhante ao overmundo, o Portal Literal lança um novo projeto de site.
achei bem legal. postei uma contribuição sobre o Pirata. ela já sumiu agora da fila da edição, creio que entrará em votação.
sobre edições, o fragmento ‘del tiempo que começa em Xibalbá‘ está cada vez mais incrível: para editar também ou só ler, clique aqui.
Add comment 2, Outubro, 2008
anômalos
___________________________________
Notícia. Na quinta-feira agora, dia 25.09, será o último dia do curso Anomalias que o Alan e eu ministramos na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, das 20h às 22h, gratuito. Quem sabe vc não pode comparecer?
Neste último encontro, discutiremos as obras do chileno Pedro Lemebel e do guatemalteco Luis de Lión. E também o trabalho das brasileiras Alessandra Cestac e Néle Azevedo e também da guatemalteca Regina Galindo.
Para empolgar, aí vão 2 amostras grátis. Te espero?
Versos iniciais do Manifiesto (Hablo por mi diferencia), Pedro Lemebel
“No soy Pasolini pidiendo explicaciones
No soy Ginsberg expulsado de Cuba
No soy un marica disfrazado de poeta
No necesito disfraz
Aquí está mi cara
Hablo por mi diferencia
Defiendo lo que soy
Y no soy tan raro
Me apesta la injusticia
Y sospecho de esta cueca democrática
Pero no me hable del proletariado
Porque ser pobre y maricón es peor
Hay que ser ácido para soportarlo”
.
2 Fragmentos de El tiempo principia en Xibalbá, Luis de Lión
1.
El viento abría y cerraba las puertas, eran por gusto las trancas, las llaves, los candados; el viento rompía los cercos, despedazaba los techos de paja, se llevaba las hojas de lámina, quebraba las tejas, se metía debajo de las camas, llenaba de tierra todo, se revolcaba entre las ollas, las quebraba, mataba a las gallinas, rasaba la ropa de la gente, mordía la carne y sobaba su lengua áspera y roma hasta más allá del corazón, en el mero fondo de la vida. Acurrucada, amontonada, la gente grande escondía a los patojos…algunos mejor se dejaban caer al suelo para no ser abatidos…
2.
(Juan)_ ¡Pero tratar de violar a la madre de Dios! Claro que era loco.
(Concha)_ Vos no entendés. Como no bajas de tu altar, como no te relacionas con nadie, no ves lo que hay en el corazón de los hombres de este pueblo. Allí no hay amor de hijos sino deseo, purititas ganas de cogerla.
(Juan)_ ¿A la madre de Dios, a nuestra madre santísima? Persináte la boca.
(Concha)_ Es que ella no es nuestra madre. Ella es una mujer ladina cualquiera; pero puesta aquí para darnos carita, una ladina de pueblo, qué se entiende. La prueba está en que vienen de la ciudá y entran a la iglesia y la ven como si nada. Claro, no es la Virgen de su Catedral, no es siquiera una putita de sus cantinas. ..¿Sabés una cosa? Yo me he fijado en eso: en la ciudá los hombres de aquí buscan en las ladinas la cara de la Virgen, aquí buscan en la Virgen la cara de las ladinas.
From Wikipedia: In Maya mythology Xibalba (IPA: /ʃɨbɒlbə/), roughly translated as “Place of fear”,[1] is the name of the underworld, ruled by Mayan spirits of disease and death. (…) Xibalba is described in the Popol Vuh as a court below the surface of the Earth. It is unclear if the inhabitants of Xibalba are the souls of the deceased or a separate race of beings worshipping death, but they are often depicted as being human-like in form.
[fontes das fotos: Pedro Lemebel e Luis de Lión + fotos dele no flickr da Renata Ávila]
Add comment 24, Setembro, 2008
café descartável*
Naqueles dias já perdidos desde manhã, passeio pelo hábito – o quê mais certamente mais nos ajuda em várias horas a sobreviver (nem irei citar um Beckett sobre o Proust que dei pra um amigo para evitar o excesso E. M. aqui) – e visito o **Jornalistas da Web** de todos os dias e aproveito para conferir a chamadinha ao **Intermezzo** – queria ver algo ali sobre 2.0.
No Intermezzo foi publicada uma **nuvem de tags** , que reproduzo abaixo, sobre as palavras mais procuradas por brasileiros no google. Achei interessante como começa… amor-poemas-poesias-livros – quem iria procurar sundown nessa geladeira? E quem diabos procura por “frases”! Estamos talvez no ramo certo?
E por ramo certo, não estou falando em árvores, vejamos, estarei falando de homens ao mar e yo ho ho e uma garrafa de rum? Também preciso de sundown, minha pele está queimando só de pensar.
Fico pensando até onde isso realmente vai. Esses fluxos. Não acho verdade, sabe? Porque não os consigo sentir. Porque dizem que nesse país as pessoas são alegres e frias. Sigo no dia perdido, mais um copo de café descartável, meus dedos são gelados. Mas são quem escreve. Quem sabe se eu digitasse a palavra eles não se alterariam?
(Além das nuvens: **Google Trends** )
Seriam esses diagramas de fluxos mais uma aplicação do tão consagrado ‘**Teorema de Tostines** ‘? Alguém já digitou uma busca e encontrou um diagrama de fluxo como resultado? Pode acontecer, pode acontecer.
A Nuvem de Tags à brasileira
(gabarito das cores no Intermezzo):
* postagem orignal editada na plataforma piratadeaquario.wikispaces.com pelos usuários hiok, paulo m e pimpo.
2 comments 23, Setembro, 2008

















