DE VUELTA! (vc nem sabia que eu tinha ido?)
15, Outubro, 2008
Estou com uma grande dificuldade em postar. Tudo porque ando com a incrível sensação que não tem ninguém aí, sabe? Mas como a Maiara linda me mandou beijos, me animei. Arre, que criatura que sou. E o Thiago Dória comentou do Pirata (excelente o blogue dele!). E o Paulo Coelho falou que apóia o piratizeyourself na abertura da Feira de Frankfurt. De melhor ânimo, decidi prosseguir.
* * *
Desde o começo
: ainda aqui em Sampa, onde decidi fazer as malas. Parti de uma segunda-feira chuvosa, dia 6, da SAPO – Semana de Artes da Poli (USP). Sim, fui lá falar aos politécnicos, público interessado e perguntadeiro, sobre “Literatura na Era Digital – 2.0_ _ O Dia em que o Poema não caberá mais no Papel“. Seja você um migrante ou nativo da web, não é possível mais pensar em páginas amarelas, se você tem google. E o messenger já é um menino que cursa a 7ª série. Twitter-o-quê? E a literatura? Digamos que manter um blogue não seja exatamente o mais nuevo que se possa imaginar…
Com idéias conturbadas na cabeça, preparei um powerpoint sobre o tema, hehe, nada mais powerpointeresco que uma palestra sobre algo digital na POLI. Lembrando meus pitorescos tempos de advogada de direitos autorais, (saudades do Caio e do Gui!) comentei algo a respeito do modelo dos Softwares Livres e da dita 2.zerorização, quem sabe ainda o que é isso. Da importância da inteligência coletiva e desse lance do beta perpétuo, parte-se da premissa que é sempre possível melhorar a criação – cada autor que acrescenta algo no programa quer assim participar do “projeto” e isso nunca tem um fim, há versões novas, criações paralelas, in progress.
Tentativa de colocar modelos de criação semelhantes ao do softwares livres em pontos de bala:
- Inteligência Coletiva
- Sempre em Processo (‘beta perpétuo’)
- Comunidades
- Cada um cria sua própria forma de organização
Agora vejam o esquema literário padrão. Um modelo clássico de único autor, o livro é a consolidação máxima do objeto pronto, em que se apagam todas as marcas dos processos (ou não, vide os piolhos de correções, hehe), rígido. Sua distribuição depende do parque gráfico, livrarias, com a interação só ocorrida em cantos de comentários de blogues, ai, internet de novo, ou entre autógrafos e mesas de bar incertas. Algo bem difícil de ser crível às vezes. O que acha?
Agora nova tentativa de colocar o esquema literário em pontos de bala:
- Modelo de único autor
- Publicação estática e rígida
- Interação em menor grau
- Distribuição depende do parque gráfico
E después citei os meus projetinhos:
(a) Alerta de Vírus: soltei um spam com assunto “ALERTA DE VÍRUS: os invisíveis mandam dizer“. Continha apenas poemas “invisíveis”, dado que a maioria das letras pintada de branco desaparecem no fundo igualmente branco da tela. Assim, o leitor só conseguirá ler o texto explorando os poemas, selecionando-os com o mouse. No corpo do e-mail, constava a frase: “Essa obra é extremamente frágil. Sua sobrevivência depende de teu desejo em repassá-la para outros, pois a autora não disponibilizou o arquivo em nenhum lugar para download. Agora é com você“. Com esses dizeres, coloca-se nos ombros do leitor-destinatário toda a responsabilidade pela existência do poema. E inicia-se a distribuição por afetos: logo os leitores empolgados com a idéia, repassam o e-mail a amigos, sendo co-autores da ação. Algo assim.
(b) o Pirata de Aquário: este blogue! Que abri uma plataforma wiki para que qualquer internatura possa editar partes das postagens. Afinal, nada mais pessoal que um blogue – subvertamos isso, jeje.
(c) o El Libro de Alan: para o dia dos namorados, com ajuda inestimável dos amorecos Kqi e Daud, colamos na cidade o dizer “Aqui habla un poema de Alan” e também trechos de poemas dele. Num blogue, foi possível acompanhar o que acontecia com as colagens todas durante 15 dias. Ao final, fizemos um vídeo. Tudo com direitos livres, claro, como assim mandava a trilha do Nine Inch Nails.
Para as colagens, foram escolhidos 4 locais (Praça da Sé, Av. Paulista, cruzamento da Av. Brasil com R. Guatelama e Av. General Olímpio com R. Olímpia) – 4 estrelas que formam uma cruz, um cruzeiro do sul, para que as galáxias saiam do papel e possam estender-se pelas ruas, infiltrando poemas escondidos pelas calçadas.
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Sobre a SAPO em si, fui suuper bem tratada, com lanches, bolo, suco, café, incrível a recepção. E exibimos o vídeo do El Libro de Alan, aplaudido ao final. Foi muito bom ouvir as reações e os comentários. Gracias, Daud! Mais que perceber a internet com o um brave new world, coisa já demodê, é entender que o que faz uma obra de arte é modificar corações. E para isso, precisamos de pessoas de carne e osso escutando, discutindo, importando-se. João, muito obrigada pelo convite. E Mari, vamos planejar muita coisa juntas. (fotos: mesa cheia de guloseimas para o palestrante artista e o daud tentando pegar o sapo)
Fica por aqui, sim? Tem dias que é difícil sobreviver ao nosso próprio lugar. Amanhã falo do Chile. Se quiser se preparar, assita: LA CARNICERÍA PUNK – Oficina Moda y Pueblo.
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1.
Rafa | 16, Outubro, 2008 at 4:55 pm
Welcome back, lady!
Nós não saímos da cadeira, vc está muito enganada.
Aliás vou aproveitar o piratizeyourself na jornada de psicanálise deste ano. Depois te conto.
2.
ana rüsche | 16, Outubro, 2008 at 5:11 pm
e vc irá hoje ver ornitorrincos no b_arco? me diz. tô com saudades. beijos | psicanalistas-piratas, hum, talvez combine, hehe